estava ali, ao lado de quem ama
nunca acreditou nessa palavra amor
existir não cabe no encanto
estava ali, ao lado de quem ama.
SAULO DE FREITAS LOPES - 11:33 PM
Terça-feira, Dezembro 09, 2008
marias
pegou-lhe em abraço, apertou-lhe contra o peito e suspirou: meu filho! seu filho que, quando pequeno, era do tamanho do mundo, e quando cresceu, continuou assim, seu filho! ele que lhe cuspiu na cara “eu não pedi pra nascer”, que lhe chorou o mundo e pediu “segura pra mim”, que pegou-lhe as mãos e lhe olhou: mamãe!
ela não criou seu filho para o mundo. seu filho era o seu mundo. um mundo distante, que se afasta com o tempo, mas que sempre está lá, onde está o seu filho.
maria sabe que nunca teve nada. maria, que tanto sofreu, nunca teve nem dor. sentir a dor é pra poucos. maria não dá poesia. no fundo, uma lágrima que escorre para, quem sabe um dia, chegar ao céu.
SAULO DE FREITAS LOPES - 9:26 PM
Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
eles
ele afagou seus cabelos, beijou-lhe as costas, roçou-lhe os lábios. virou-se para o passado e viu tudo o que fez. quantos poetas teve que ler, uns de que nem gostava; quantos livros teve que sorver mesmo sem sede e, depois, memorizar cada parte daquele trecho. teve que fingir timidez, que falsear coincidências, que desviar olhares, que enviar flores, que omitir a verdade. e tudo para fechar os olhos e roçar-lhe os lábios.
ela contorceu-se com o arrepio nas costas. virou-lhe o rosto, fechou os olhos e inclinou-se. mirou o futuro e procurou o agora – os dois. ela que recusou os primeiros poemas, que desprezou tantos olhares, que provocou seu amante quando ele ainda não o era. ela que já tinha o seu homem, que teria os filhos também dele, que estaria lá onde sempre esteve.
ambos se esqueceram de seus tempos. deram um beijo profundo e se abraçaram apertado como quem quer segurar a eternidade – o presente.
SAULO DE FREITAS LOPES - 10:28 PM
menino
e sempre quis da verdade. quando era menino, nunca quis saber porque o mundo foi feito – ele já o era, e não tinha mais importância. queria saber de deus – queria saber deste ser que ainda está e não se consumou (ao menos para ele). das formigas, ele via todas as patas. das árvores, todas as folhas. do homem, toda a razão. mas razão que não se consome. e como o mundo lhe violentava os olhos e lhe mostrava tudo. e como os ouvidos escutavam a água, mas não lha ofereciam. e como todos os sentidos não sentiam o que ele; sim, o ele, o eu.
o menino continua sentindo. e sentido. não sabe se tem esperança. esperança é para quem sabe. vai até um dia chegar ou até um dia não resistir mais.
SAULO DE FREITAS LOPES - 4:58 PM