o outro lado

 
             

   
 
 

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

 
estava ali, ao lado de quem ama
nunca acreditou nessa palavra amor
existir não cabe no encanto
estava ali, ao lado de quem ama.

SAULO DE FREITAS LOPES - 11:33 PM


Terça-feira, Dezembro 09, 2008

 
marias

pegou-lhe em abraço, apertou-lhe contra o peito e suspirou: meu filho! seu filho que, quando pequeno, era do tamanho do mundo, e quando cresceu, continuou assim, seu filho! ele que lhe cuspiu na cara “eu não pedi pra nascer”, que lhe chorou o mundo e pediu “segura pra mim”, que pegou-lhe as mãos e lhe olhou: mamãe!
ela não criou seu filho para o mundo. seu filho era o seu mundo. um mundo distante, que se afasta com o tempo, mas que sempre está lá, onde está o seu filho.
maria sabe que nunca teve nada. maria, que tanto sofreu, nunca teve nem dor. sentir a dor é pra poucos. maria não dá poesia. no fundo, uma lágrima que escorre para, quem sabe um dia, chegar ao céu.



SAULO DE FREITAS LOPES - 9:26 PM


Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

 
eles

ele afagou seus cabelos, beijou-lhe as costas, roçou-lhe os lábios. virou-se para o passado e viu tudo o que fez. quantos poetas teve que ler, uns de que nem gostava; quantos livros teve que sorver mesmo sem sede e, depois, memorizar cada parte daquele trecho. teve que fingir timidez, que falsear coincidências, que desviar olhares, que enviar flores, que omitir a verdade. e tudo para fechar os olhos e roçar-lhe os lábios.
ela contorceu-se com o arrepio nas costas. virou-lhe o rosto, fechou os olhos e inclinou-se. mirou o futuro e procurou o agora – os dois. ela que recusou os primeiros poemas, que desprezou tantos olhares, que provocou seu amante quando ele ainda não o era. ela que já tinha o seu homem, que teria os filhos também dele, que estaria lá onde sempre esteve.
ambos se esqueceram de seus tempos. deram um beijo profundo e se abraçaram apertado como quem quer segurar a eternidade – o presente.

SAULO DE FREITAS LOPES - 10:28 PM

 
menino

e sempre quis da verdade. quando era menino, nunca quis saber porque o mundo foi feito – ele já o era, e não tinha mais importância. queria saber de deus – queria saber deste ser que ainda está e não se consumou (ao menos para ele). das formigas, ele via todas as patas. das árvores, todas as folhas. do homem, toda a razão. mas razão que não se consome. e como o mundo lhe violentava os olhos e lhe mostrava tudo. e como os ouvidos escutavam a água, mas não lha ofereciam. e como todos os sentidos não sentiam o que ele; sim, o ele, o eu.
o menino continua sentindo. e sentido. não sabe se tem esperança. esperança é para quem sabe. vai até um dia chegar ou até um dia não resistir mais.

SAULO DE FREITAS LOPES - 4:58 PM

 

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